Antonio Sousa-Uva
Pelo menos no Brasil, celebra-se no dia 28 de fevereiro, o dia de combate às LMELT (Lesões Musculoesqueléticas Ligadas ao Trabalho), denominadas lá (LER - Lesões por Esforços Repetidos, do inglês RSI; DORT - Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho, julgo numa tradução direta também do inglês). Em Portugal essa comemoração passa quase despercebida, mas dado que cerca de um quinto a um quarto dos meus leitores são brasileiros resolvi escrever mais esta "migalha".
Talvez seja bom recordar, aqui em Portugal, a coincidência da atenção que lhes foi prestada com a utilização de periféricos das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) e com as linhas de produção com cadências impostas, essencialmente em indústrias da área da montagem de automóveis. Recordo, no final do quarto quartel do século passado uma peça jornalística sobre essa indústria na Península de Setúbal, na área da Grande Lisboa, em que eram referidas como "mãos de fado", a propósito de vários casos de síndrome do túnel do Carpo e algumas outras "ites" de ligamentos e tendões.
Muito tempo passou, desde essa data, e muito mudou. Hoje e há já algum tempo, tristemente, são a grande maioria das doenças profissionais reconhecidas com direito a pensão e destronaram as diversas doenças respiratórias profissionais onde se destacava, nos anos de 1960, a silicose.
Bastaria essa realidade para se aproveitar toda e qualquer iniciativa que dê maior visibilidade a essas doenças e lesões e, dessa forma contribua para a sua prevenção. Este dia preenche esses requisitos e, consequentemente, associo-me a essa "ambição" que interpreto naquela comemoração. Não pela falsa dicotomia "white collars"/"blue collars" mas por, pelo menos no campo teórico, serem totalmente evitáveis e, apesar disso, já ocorrerem há séculos nos escribas (e outros trabalhadores) como foi descrito clinicamente, de forma cruelmente atual, por Ramazzini.
