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domingo, 1 de novembro de 2026

SPMT: mais um ano ...


 Antonio Sousa-Uva


Mais um ano, mais um aniversário que a, sessentinha, Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho (SPMT) comemora. Este ano não é uma conta "redonda", como ocorreu recentemente, mas tal não deve determinar que nos esqueçamos de assinalar essa efeméride com igual empenho e júbilo.

 
Aparentemente, parece vislumbrar-se no ano corrente mais energia na sua atual actividade. Oxalá a sua actividade científica também se torna mais enérgica dada a sua natureza de sociedade científica que se deve destacar em relação à sua complementar dimensão de associação profissional que não deve nunca ofuscar o seu foco primordial. 


A minha qualidade de sócio, igual (ou parecido) a centenas de outros e actualmente bem menos militante do que já fui, determina a partilha que continuo a fazer sobre a sua atividade, por nutrir pela Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho um carinho especial. Independentemente do percurso e dos protagonistas que tem em cada momento nos seus órgãos sociais, quero deixar expressa a importância que lhe atribuo para o desenvolvimento da Medicina do Trabalho em Portugal e a enorme expectativa que mantenho sobre o importante papel que tem para o exercício de uma Medicina do Trabalho cada vez mais competente, baseada em conhecimento científico sobre a saúde, o trabalho e a doença.


De facto, a Academia não se deve esgotar exclusivamente nas Universidades e as Sociedades Científicas, como a SPMT, têm um importante papel na criação e na divulgação de conhecimento científico nas suas áreas concretas de intervenção. As Sociedades Científicas têm (entre outras), pelo menos, uma enorme vantagem (e outras desvantagens) em relação às Universidades, uma vez que chegam mais facilmente ao dia-a-dia de quem pratica a respectiva especialidade.


domingo, 4 de outubro de 2026


 

Antonio Sousa-Uva


Mais um dia 4 de outubro em que, como tenho vindo a escrever, se comemora, nalguns países, o dia dedicado ao médico do trabalho. Existem entusiastas e detratores destas comemorações em função da sua utilidade ou inutilidade, mas é sempre uma oportunidade para destacar o papel dos médicos do trabalho na protecção e na promoção da saúde dos trabalhadores, dos empregados ou dos colaboradores (risque o que não interessar).


A perspectiva patogénica sobressai, invariavelmente, à perspectiva salutogénica já que os acidentes de trabalho, principalmente os mortais e, menos amiudadamente, as doenças profissionais mais graves como é, por exemplo, o cancro causado pelo amianto são bem expressivas daquela primeira perspectiva.


A promoção da saúde do trabalhador, entre nós confundida, até em textos legais, com a promoção da saúde e da segurança do trabalho (uma espécie de autor da obra-prima vs. prima do autor da obra) continua arredada da nossa atenção, excepto na prevenção de hábitos individuais deletérios para a saúde. Paradoxalmente os hábitos coletivos deletérios para a saúde de quem trabalha (por exemplo de utilização no trabalho de cancerígenos) não tem igual empenho do que, por exemplo, a proibição de venda de bebidas alcoólicas nos refeitórios. E, pasme-se, num caso a escolha é individual mas, no preterido, não.


A prevenção individual parece sobrepor-se à prevenção colectiva bem patente em matéria de EPI. Será isso aceitável? 

Porque será que a Medicina do Trabalho é muito confundida com Medicina no Trabalho até por Agências do Estado em matéria de SST quando, inclusive, a promovem?


O dia 4 de outubro é um bom dia para reflectir sobre essas matérias e na necessidade imperiosa de melhorar a proteção e a promoção da saúde de quem trabalha. É que sem médicos do trabalho tal não é possível, como, igualmente, não é possível sem o concurso de diversas outras áreas de conhecimento. Basta descentrar o nosso foco na nossa área para o centrar na saúde do trabalhador (ou, se preferir, colaborador ou empregado).

4 de outubro de 2026