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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Precisa-se de uma SO (ou SST) como um investimento e não um custo!

 


Antonio Sousa-Uva

Desde que me dedico à Medicina do Trabalho e à Saúde Ocupacional (ou SST se se preferir), há mais ou menos meio século, que o seu modelo de base se baseia em algo "imposto" já que se parte do pressuposto que se assim não fosse os trabalhadores não teriam acesso a esses cuidados.

Não foi por acaso que esse modelo "compulsivo" e "punitivo" esteve na origem da proteção da saúde (e da segurança) de quem trabalha, entre nós, primeiro nas minas e depois nas empresas de alguma dimensão em matéria de número de trabalhadores e/ou da natureza dos riscos profissionais a que se encontravam sujeitos.

Quero crer que esse modelo "amarrota" ou "cilindra" outro modelo, mais moderno e eficiente, baseado em aspetos de investimento na saúde e conforto dos trabalhadores que, dessa forma, são bem mais produtivos e duradouros. É a dicotomia "modelo patogénico vs. modelo salutogénico" que determinará muito do que caracteriza as atuais relações trabalho/doença, em vez do investimento ser feito nas relações trabalho/saúde.

O mundo do trabalho tem sofrido grandes modificações e, para o ilustrar, bastará evocar as TIC, a robotização e a Inteligência Artificial, a terciarização da Economia e o envelhecimento da população ativa civil empregada. Tais características influenciam muito as situações de trabalho e deveriam determinar uma atenção diferente para os aspetos agora aflorados.

Apesar disso continua, maioritariamente, a olhar-se a SO (ou SST) como o IRC ou outros impostos, investindo-se mais nos aspetos formais do que nos aspetos substantivos. Uma espécie de "jogo do gato e do rato" em que se valoriza mais o que parece do que o que é ...

Quer se queira ou não queira não há trabalho sem trabalhadores e, consequentemente, a doença (ligada ao trabalho) e o acidente atinge os trabalhadores que, consequentemente, se repercute no trabalho. Ora o trabalho é o motor da prosperidade e do desenvolvimento que todos queremos. Então porque não damos mais importância à SO (ou SST) que para tal é determinante?

Talvez não seja má ideia mudar o paradigma dominante e olhar a SO (ou a SST) mais como investimento do que como custo. Não será óbvio?

Nota: Antes publicado em newsletter.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

A violência sobre médicos e outros profissionais de saúde

                                              


   
                                                                     

                                                                                 Antonio Sousa-Uva                

Há mais de dois anos escrevi uma "migalha" sobre a formação da área de especialização de Medicina do Trabalho (internato) chamando a atenção para a necessidade de reflexão sobre sua composição. De fato, por proposta da Ordem dos Médicos, e ouvido o Conselho Nacional do Internato Médico, foi aprovado, em 2012, o primeiro programa de formação atualmente em vigor (Portaria n.º 307/2012 de 8 de outubro) ainda em vigor. Nesse programa prevê-se uma formação teórica com regras já à data desatualizadas em face do contexto do processo de Bolonha que já se adoptava no Ensino Superior, que centra o ensino mais no trabalho do aluno do que do professor.

Apesar disso, tanto quanto julgo saber, tudo se mantém como dantes "quartel general em Abrantes".
 
As questões colocadas, publicadas em Healthnews, que podem ser consultadas em https://perderavidaaganha-la.blogspot.com/2024/06/formacao-teorica-em-internatos-medicos.html mantêm-se, portanto, atuais.

Como presumo que não será a procrastinação que estará em causa, presumo ainda que quem tem essa responsabilidade considera adequado o atual programa e, consequentemente, escrevo mais esta migalha para afirmar a minha discordância. 

Escrevo pois mais esta "migalha" para reafirmar que se antes achava urgente a sua reformulação, agora considero-a "emergente" e faço questão de o afirmar no dia em que é apresentado o novo Plano Nacional de Saúde Ocupacional que dada a sua natureza não abordará por certo os aspectos agora evocados. O velho, lembre-se, sem extensão, já terá terminado há 10 anos ... Não sei se concordam, mas é muito, muito, muito tempo ...