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domingo, 6 de setembro de 2026

Raquialgias e Trabalho: a propósito do dia internacional das lesões da coluna vertebral



Antonio Sousa-Uva

Hoje, 5 de setembro, comemora-se o Dia Internacional das lesões da coluna vertebral. Tratam-se de patologias muito frequentes em que quase não se fala dos fatores de risco de natureza profissional que podem estar na sua origem 

Essa é a razão de escrever mais esta "migalha". Já o tenho feito algumas vezes no passado, ainda que pouco se aborde esses aspetos no contexto da prática clínica. As lombalgias e outras raquialgias nos profissionais de saúde são um bom exemplo que se relaciona com diversos aspetos das situações de trabalho em que a manipulação de cargas adquire um grande protagonismo. E quanto maior o excesso de peso e a frequência de obesidade nos doentes, maior o risco do seu surgimento.

A razão desta "migalha" é chamar a atenção para a sua prevenção, melhorando muitos aspetos que não se esgotam no recurso às denominadas "ajudas técnicas".

Contrariamente aos riscos profissionais mais tradicionais, as doenças profissionais e os acidentes de trabalho, as "doenças relacionadas com o trabalho" adquirem cada vez maior visibilidade ainda que o investimento que se faz na sua prevenção não tenha o mesmo nível de empenhamento.

Esta comemoração é uma boa altura de, pela "enésima" vez, falar disso e reafirmar que, apesar da sua relação não só com as condições de trabalho, mas também com a atividade real de trabalho, se pode fazer muito para a sua prevenção se for feito mais investimento na saúde e segurança dos trabalhadores e do trabalho.

No mesmo dia comemora-se o dia mundial da Caridade que deve ser separado e também amplamente comemorado.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Duas pessoas morreram em queda de grua



 Antonio Sousa-Uva

As notícias sobre acidentes de trabalho mortais em Portugal mantêm-se inalteradas ao longo de decénios, caracterizadas, essencialmente, pela ausência de referência aos AT mortais,  preferindo-se o dramatismo do acontecimento e até mesmo os danos materiais. Vem isto a propósito de uma notícia, com o título desta "migalha", de dois acidentes de trabalho ocorridos na Construção Civil, na zona da grande Lisboa, que vitimaram mortalmente dois trabalhadores. 

Há outros tantos decénios que escrevo e falo sobre estas matérias e, raramente, a notícia foca os acidentes de trabalho e o facto de que alguém perdeu a vida a ganhá-la... Tal poderá ser interpretado como um reflexo da cultura de SST dominante.

No caso noticiado, o enfoque foi feito na queda de uma grua, nos danos em numerosos veículos e pelo óbito de duas pessoas, por essa ordem. Nenhuma referência aos acidentes de trabalho para além do isolamento da área e a expectativa da sua remoção do local.


Será que as políticas públicas de SST fazem o que devia ser feito naquele domínio?

Será que não se identificam necessidades de um maior conhecimento de Segurança do Trabalho, como aconteceu (e acontece) com a Segurança Rodoviária?

Estaremos nós, profissionais de SST, a influenciar suficientemente os media para mudar a perspetiva prevalente sobre estas matérias?


Dois dias depois aparecem notícias sobre o número de acidentes de trabalho mortais e um grande enfoque na circunstância dos trabalhadores não usarem capacete nem arnês. Não sei se devo valorizar mais a perplexidade, a ignorância ou as políticas de circunscrever a prevenção de AT aos EPI ...

O insucesso que constato que as minhas intervenções têm não anula a motivação de continuar a abordar essas matérias e a expectativa que, breve, breve, a sociedade valorize mais o trabalho e os trabalhadores para que tenhamos trabalhadores seguros e saudáveis em locais de trabalho igualmente seguros e saudáveis.