Antonio Sousa-Uva
Em 28 de abril celebra-se o dia mundial da Segurança e Saúde no Trabalho como acontece há muito. Repetem-se, sempre, diversas iniciativas com o propósito de dar maior visibilidade aos aspectos da protecção da saúde (e segurança) de quem trabalha.
As mensagens serão, igualmente como sucede há anos, muito semelhantes às dos anos anteriores e serão focadas, igualmente e por certo, nos aspectos essencialmente relacionados com a prevenção e, fundamentalmente, dos acidentes de trabalho mas também, quero crer, um pouco das doenças profissionais, ainda que raramente ultrapassando o simples enunciado dessa necessidade. Apesar de tudo, ainda podia ser pior!
Claro que a "moda" das alterações climáticas dá à comemoração uma certa "modernidade" valorizada em meio europeu, ainda que, por exemplo, a "uberização" (já com muitos anos) e o teletrabalho (com menos anos) nos coloquem, por certo, mais dúvidas relativamente a potenciais riscos profissionais. Tal, todavia, não parece merecer tanta valorização como as consequências das alterações climáticas, note-se, como risco profissional. Tal não terá por certo nada a ver com os modelos teóricos que estão na origem dos acidentes de trabalho ou das doenças profissionais ou essa relação poderá ser considerada?
Continuará, por certo, a pouco se falar, julgo, das mais prevalentes interacções do trabalho na matriz etiológica multifactorial de diversas doenças e menos ainda do potencial agravamento de doenças naturais por factores de risco profissionais. Mesmo dando mais ênfase aos factores profissionais psicossociais e respectivos riscos, essas interacções serão, por certo, insuficientemente valorizadas, e menos ainda o serão, outras "dimensões" que permanecerão "ocultas", aguardando outro "pontapé de saída" das instituições europeias.
Também o potencial papel promotor da saúde que o trabalho poderia proporcionar fica, como sempre, num plano secundário, ofuscado pela prevenção dos riscos profissionais ou, pior ainda, confundido com a promoção da saúde e segurança do trabalho, mas isso não estará na moda. É o que temos! Resta-nos a alegria de continuarmos a focarmo-nos mais nos trabalhadores do que nos prestadores (ou, até mesmo, nos prescritores ...). E, apesar de tudo, é isso que, realmente, interessa!
Para o ano, haverá mais e, esperemos, melhor! E ainda há quem diga que o trabalho dá saúde ... que se complementa com o "então que trabalhem os doentes". Não estará na origem dessa afirmação alguma iliteracia nessas matérias?
28 de abril de 2024

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