Antonio Sousa-Uva
Meados de
julho de 2024, mais um acidente de trabalho mortal de um jovem trabalhador
português (também atleta de futsal), desta vez na Suíça e envolvendo o trabalho
em estruturas (andaimes) na área da Construção Civil. Mais um triste exemplo de
um acidente nesse sector de actividade económica, ainda que num dos países mais
ricos da Europa. A perspectiva simplista dirá que os portugueses atraem os
acidentes de trabalho, mas uma visão mais robusta de análise dirá simplesmente
que quase um quarto da população activa Suíça é portuguesa e mais ainda no
sector da Construção Civil e, "caricaturando", só são vítimas
potenciais quem aí trabalha.
Será infortúnio (ou falta de sorte) ou, APENAS,
insuficiente cumprimento de regras de segurança e incompleto enquadramento
normativo de tal tipo de actividade de montagem de estruturas. Pelo menos, tal
não será suficiente para melhorar as normas de SST que reduzam,
tendencialmente a zero, tal tipo de acontecimentos?
Quantas mais mortes serão necessárias para que
qualquer trabalho em altura seja executado no respeito pelas normas de
segurança que reduzam (outra vez) esse risco tendencialmente a zero?
No mundo do trabalho, fazemos tudo o que deve ser feito em matéria de prevenção
dos acidentes de trabalho, designadamente no trabalho em altura?
As normas e regras da Saúde e Segurança do Trabalho são respeitadas nesse
domínio? e suficientemente auditadas?
Será suficiente, a diversos níveis, o controlo da aplicação das normas e
regras?
A comunicação de risco e a formação dos trabalhadores nesse domínio serão
realizadas de forma sistemática e com grande empenho dos empregadores, também
na Suíça?
Será aceitável "suportar" tais mortes
totalmente evitáveis e o (hor)ror de anos de vida perdidos?
Poderiam colocar-se muitas outras questões em relação à ocorrência destes dramáticos acontecimentos, mas o propósito de mais esta reflexão é tão somente mais uma tentativa de acrescentar mais “massa crítica” nesse domínio. É que, pelo menos no meu entendimento, pode-se fazer bem mais do que fazemos em Portugal, na Suíça ou em qualquer outro país.
Apenas numa abordagem académica, o empenho colocado na
sua prevenção seria o mesmo se as vítimas, em vez de trabalhadores da
Construção Civil, fossem trabalhadores bem mais "valiosos" ou,
caricaturalmente CEOs ou PDGs?
Nota: Publicado, inicialmente, na plataforma Healthnews.
Agora, em outubro de 2025, mais "dois operários mortos em queda" é o que as notícias nos transmitem, em vez de "mais dois acidentes de trabalho mortais, por queda, em obra de Construção Civil" ... "Tudo como antes, quartel-general em Abrantes" ... As perguntas mantêm-se sem respostas...

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