Antonio Sousa-Uva
Bater palmas ou não bater
palmas? Eis a questão. Essa dúvida existe há anos e as opiniões são diversas
ou, dito de outra forma, não existe uma resposta unívoca. No passado, por
exemplo no século XIX, Mendelssohn na estreia de uma das suas peças pediu que
ela fosse tocada sem interrupção, para evitar aplausos, tal como Shumann nos
seus concertos para piano e violoncelo. Bater palmas ou não bater palmas?
Vem tal a propósito da
nova “moda”, cada vez mais frequente, de bater palmas em funerais! Julgo, há
poucas dezenas de anos, tal ter começado a acontecer em funerais de actores e,
gradualmente, estendeu-se a figuras públicas, mas agora generalizou-se completamente
o que faz pressupor que, quem sabe, se aplicará no futuro à generalidade dos
funéreos! Mas a questão mantém-se, bater palmas ou não bater palmas?
Tudo leva a crer que tais
palmas expressam o apreço pelo finado (findado) ou defunto que, por isso, desencadeia
tal manifestação de júbilo, ainda que numa manifestação de tristeza profunda já
que representa o seu fim. Se estivéssemos a usar linguagem gastronómica seria
algo semelhante ao que se sente em algo agridoce. Julga-se que tal continuará a
determinar reacções contrárias dos diversos intervenientes e, igualmente,
diferentes estados de alma.
Tudo muda “ … mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança…” e devemos habituarmo-nos à mudança. E exprimir o que sentimos, da forma que entendermos, deverá ou não sobrepor-se à anterior pergunta?

