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domingo, 6 de outubro de 2024

O aplauso em funerais veio para ficar e ficou mesmo!



 

Antonio Sousa-Uva


Bater palmas ou não bater palmas? Eis a questão. Essa dúvida existe há anos e as opiniões são diversas ou, dito de outra forma, não existe uma resposta unívoca. No passado, por exemplo no século XIX, Mendelssohn na estreia de uma das suas peças pediu que ela fosse tocada sem interrupção, para evitar aplausos, tal como Shumann nos seus concertos para piano e violoncelo. Bater palmas ou não bater palmas?

 

Vem tal a propósito da nova “moda”, cada vez mais frequente, de bater palmas em funerais! Julgo, há poucas dezenas de anos, tal ter começado a acontecer em funerais de actores e, gradualmente, estendeu-se a figuras públicas, mas agora generalizou-se completamente o que faz pressupor que, quem sabe, se aplicará no futuro à generalidade dos funéreos! Mas a questão mantém-se, bater palmas ou não bater palmas?

 

Tudo leva a crer que tais palmas expressam o apreço pelo finado (findado) ou defunto que, por isso, desencadeia tal manifestação de júbilo, ainda que numa manifestação de tristeza profunda já que representa o seu fim. Se estivéssemos a usar linguagem gastronómica seria algo semelhante ao que se sente em algo agridoce. Julga-se que tal continuará a determinar reacções contrárias dos diversos intervenientes e, igualmente, diferentes estados de alma.

 

Tudo muda “ … mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança…” e devemos habituarmo-nos à mudança. E exprimir o que sentimos, da forma que entendermos, deverá ou não sobrepor-se à anterior pergunta?

 


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