Antonio Sousa-Uva
A propósito da “telenovela” noticiosa do
(des)convite do Presidente Jair Bolsonaro ao nosso Presidente Marcelo Rebelo de
Sousa que “canibalizou” os canais noticiosos deste “rectangulozinho à beira-mar
plantado” tive um encontro com o que me pareceu ser uma sequela de um acidente
de trabalho de um ex-Presidente da República Federativa do Brasil. Confesso que
nunca tinha reparado nisso.
Com os cuidados inerentes à procura de informação
na internet, foi muito fácil (e rápido) aceder a dois vídeos de
entrevistas a esse ex-Presidente realizadas há poucos anos que confirmaram tratar-se
de uma sequela de um acidente de trabalho (a perda das três falanges do 5º dedo
da mão esquerda).
Para os muitos que associam os acidentes de
trabalho ao trabalho operário convirá referir que, de facto, tal terá
acontecido, no passado operário daquele ex-Presidente, mas será igualmente importante
referir-se que os acidentes de trabalho podem acontecer em qualquer trabalhador
e não apenas em operários.
Mas o que me fez escrever este breve texto é que
existe uma rápida associação dos acidentes de trabalho aos operários o que é
bem revelador da sua excessiva frequência ainda que, no caso em apreço, essa sequela
tenha mais de cinquenta anos. É algo a que julgo não ter dedicado suficiente
atenção, tanto mais que é um tema a que tenho dedicado muito tempo da minha
vida.
Nesse espaço de tempo, pelo menos na Europa, a
redução da incidência de acidentes de trabalho tem sido uma realidade que está,
por certo, para além da também importante redução de actividade do sector
secundário.
Representará o raciocínio da associação dos
acidentes de trabalho ao trabalho operário um entendimento representativo de um
correcto investimento em prevenção?
Não representará isso uma espécie de
“cumplicidade” com a inevitabilidade da sua ocorrência?
O investimento em prevenção não deveria ser
proporcional ao risco?
Não bastará o conhecimento da completa
preventabilidade desses acidentes para se investir mais na Saúde Ocupacional
(ou Saúde e Segurança do Trabalho, se se preferir), no caso, na sua vertente
Segurança do Trabalho?
Quero crer que se pode fazer muito mais do que se
tem feito já que ainda se toleram muitas situações que deveriam ser totalmente inaceitáveis!
O que faz mesmo falta é que se considere a Saúde Ocupacional parte integrante
de qualquer trabalho e não uma espécie de “fringe benefit” de alguns!
Nota: Inicialmente publicado em Healthnews.

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