Antonio Sousa-Uva
Os
factores de risco (micro)biológicos são, há muito, reconhecidos como agentes
causais de doenças profissionais
A identificação do vírus de imunodeficiência humana
(VIH) no início da década de 1980 veio
De
facto
Apesar desse conhecimento, os riscos biológicos são muitas vezes designados como emergentes, na perspectiva de serem novos, apesar do que, de facto, é novo é, essencialmente, a percepção desses riscos. Em Portugal, por exemplo, poderíamos referir verdadeiros casos de doença profissional em Câmara Pestana (peste bubónica) ou Sousa Martins (tuberculose), ainda que nunca como tal referidos.
A
referência à contaminação por agentes biológicos, historicamente, é feita quase exclusivamente
A exposição a factores de risco biológicos sucede, essencialmente,
em duas situações: o uso de agentes biológicos no “processo produtivo” e a exposição
potencial
Recentemente, a pandemia provocada pelo coronavírus SARS-Cov2 veio, de forma muito marcada, revelar mais uma doença profissional causada por agentes (micro)biológicos, a COVID-19, em determinadas situações e em, igualmente, determinados grupos profissionais. A grande novidade foi, contudo, a extrema rapidez desse reconhecimento, ao contrário dos casos anteriormente elencados.
Apesar de tudo vai havendo algumas "vitórias", como a que se passou em relação à referida infecção por SARS-CoV-2, num profundo marasmo na atenção dada a estas matérias. Tal faz supor que se a maioria dos salários dos trabalhadores fosse mais próximo do salário do futebolista profissional Cristiano Ronaldo, talvez a atenção prestada à saúde (e segurança) pudesse ser bastante diferente da actual, já que um continuum de situações pandémicas não é, obviamente, tão desejável ...

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