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segunda-feira, 1 de abril de 2024

Saúde/Doença: Literacia em saúde/Literacia em doença



Antonio Sousa-Uva

Há já demasiados anos que o diagnóstico da necessidade de aumentar a literacia em saúde em Portugal (e na Europa) se encontra realizado. Feito esse diagnóstico há, obviamente, que aplicar a terapêutica que, como qualquer outro diagnóstico realizado em situações complexas, requer obrigatoriamente abordagens, preferivelmente, mais transdisciplinares que multidisciplinares.

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  • Será para isso apenas necessário a aquisição de informação sobre as doenças e, muitas vezes, "fatiada" por especialidades médicas?
  • Esgotar-se-á essa capacidade na prevenção das doenças, com enfoque naquelas com perfil crónico da sua evolução?
  • Esgotar-se-á essa capacidade numa melhor acessibilidade aos prestadores de cuidados e não exclusivamente aos cuidados urgentes ou emergentes?
  • Será a saúde apenas a ausência de doença, para além da evocação da definição de todos conhecida?
  • Poderá reduzir-se o "empoderamento" dos cidadãos em saúde apenas à informação em saúde? 
  • A autonomia nas escolhas terá a importância que deveria ter? ou o "empoderamento" esgota-se na capacitação?
  • O conforto e o bem-estar farão parte do conceito de saúde? em caso afirmativo, serão dados a esses aspectos suficiente importância?
  • Será suficiente apenas o empenho em rastreios, perspectivando o diagnóstico precoce?
  • A saúde não exigirá um forte acréscimo não só de informação mas de competências sociais, para além das cognitivas?
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A promoção (e, mais ainda, a manutenção) de uma boa saúde deve exigir, acima de tudo, uma enorme responsabilidade individual, e também colectiva, de assumir escolhas responsáveis. Tais escolhas não se esgotam na aquisição de informação sobre as doenças mas, outrossim, na aquisição de um conjunto de competências cognitivas e sociais que possam incrementar a capacidade das pessoas não só ganharem acesso mas, acima de tudo, compreenderem e usarem essa informação, de forma autónoma e responsável. 

E a componente mais positiva da saúde? Será que o bem-estar não contribui para a saúde? A literacia em doença será sinónimo de literacia em saúde? O tempo vai passando mas a abordagem mais frequente nos aspectos da literacia continua a centrar-se na, anteriormente, denominada "educação para a saúde" e, mesmo assim reiteradamente baseada na informação sobre algumas doenças crónicas, mais associadas à sua importante morbilidade e mortalidade.

De facto, a capacidade para tomar decisões em saúde, fundamentadas e também no (e do) local de trabalho como já antes foi por nós abordado, pode proporcionar um acréscimo do relativo controlo que todos podemos adquirir em saúde e, mais ainda, o aumento da capacidade para a procura de opções e escolhas que todos podemos fazer. 


Bibliografia

  • Sousa-Uva A. Literacia em Saúde Ocupacional: necessidade ou exigência na prevenção dos riscos profissionais e na promoção da saúde no trabalho? Healthnews, 2021. Disponível em https://perderavidaaganha-la.blogspot.com/2021/08/literacia-em-saude-ocupacional.html.

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