Antonio Sousa-Uva
Tenho feito, a propósito da publicação dos dados da Direção-Geral da Saúde do aumento mantido de casos de violência sobre médicos e outros profissionais de saúde, desde 2020, sem saber ao certo se tal corresponde a um aumento desses episódios ou ao aumento da sua notificação. Tudo leva a crer que ambos parecem coexistir.
O Observatório Nacional da Violência Contra os Profissionais de Saúde no Local de Trabalho, desenvolvido pela DGS há alguns anos, com o objetivo de disponibilizar um sistema de notificação online dos episódios de violência tem sido, efetivamente, muito útil. Indicam agora os dados recolhidos que, em 2925, ocorreram 3.429 casos de violência contra profissionais do Serviço Nacional de Saúde, a que corresponde, mais uma vez, um aumento em relação ao ano anterior.
A grande maioria são casos de violência psicológica (2.067) que são bem superiores aos de violência física (730)-
Mantenho as questões que tenho colocado.
Será que temos feito o suficiente para a prevenção dos episódios que aquele Observatório nos revela?
Será que se tem feito o suficiente para a prevenção desses (e de outros) fatores de risco de natureza profissional?
Será que se dá igual importância ao diagnóstico de situação e à implementação de medidas concretas de prevenção?
Será que o foco no aumento da penalização é suficiente para lidar com esse flagelo?
Para quem circunscreve os fatores de risco profissionais em médicos e outros profissionais de saúde aos agentes microbiológicos, como foi o caso recente do SARS-Cov2, é uma boa ocasião para dar mais visibilidade à atividade de trabalho do que às condições em que é exercida. Existem inúmeros outros factores relacionados não só com as condições de trabalho, mas também com a atividade concreta que também não se esgotam na violência.
Julgo que (em média) cerca de dez episódios diários de violência infligida a médicos e outros profissionais de saúde, em 2025, deveriam determinar mais "músculo" na sua prevenção. É que se presume, obviamente, que aquele Observatório observa para agir. A questão que se coloca é se tem sido suficiente essa ação?
Nota: Publicado, anteriormente em versão ligeiramente diferente, em Healthnews.

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