Antonio Sousa-Uva
O Trabalho tem
sido um fator determinante do desenvolvimento económico e social e a
salubridade dos ambientes de trabalho há séculos que constitui um fator
relevante em matéria de saúde e bem-estar das populações. A Saúde e a Segurança
dos Trabalhadores
(SST) nos locais de trabalho, incluindo a Promoção e a Proteção da Saúde podem, por isso, constituir um
importante fator de desenvolvimento económico e social.
Qualquer que seja o modelo conceptual, a abordagem
prática dos aspetos relativos às (inter)relações trabalho/saúde(doença) reside sempre no conhecimento dos fatores profissionais em jogo e
das respetivas repercussões sobre a saúde dos trabalhadores. Tal abordagem
exige ainda o conhecimento aprofundado das variáveis individuais dos
trabalhadores que interagem com os diversos elementos das situações de
trabalho, e que delas fazem parte integrante, quer nos aspetos de adversidade
(os mais frequentes), quer nas dimensões do conforto ou do bem-estar (quase
sempre esquecidas).
Independentemente da perspetiva, o binómio
trabalho/saúde(doença) deve merecer mais atenção por parte de todos nós,
através de um maior investimento da sociedade na proteção da saúde de quem
trabalha e na promoção da sua saúde. Investimento e não custo, como muitas
vezes é encarada, a SST é uma componente essencial do desenvolvimento e do
crescimento económico, devendo ser encarada como motor (e não como obstáculo)
ao desenvolvimento e ao crescimento sustentado da sociedade.
As estratégias de intervenção em SST mais
prevalentes assentam, quase sempre, nas dimensões ambiental (Higiene e
Segurança do Trabalho) e individual (Medicina do Trabalho e Enfermagem do Trabalho, por exemplo) e, mesmo nessas,
essencialmente na avaliação e gestão do risco relacionadas com fatores de risco
químicos, físicos e, muito menos, microbiológicos, psicossociais ou relacionados com a atividade.
Interessa por isso
re-inventar novas abordagens das relações entre a saúde (na sua acepção mais
ampla) e o mundo do trabalho, valorizando mais a saúde dos trabalhadores do que
a Saúde Ocupacional em sentido estrito (e hoje corrente), de modo a dar maior
importância ao trabalho como agente promotor
de saúde e caminhando, dessa forma, para abordagens que se situem para além dos fatores (profissionais) de risco. Para além, implica ainda
que a promoção da saúde não se confine à escolha individual de hábitos e
estilos de vida e inclua sempre um local de trabalho livre de fatores de
risco de natureza profissional ou, pelo menos, locais de trabalho com uma boa
gestão dos riscos profissionais.
Tal nada tem a ver com a promoção da SST que é outro assunto, igualmente
importante, que alguém se encarregou de ir “adulterando”, confundindo-a coma Promoção da Saúde. Dito de outra forma, a
Promoção da Saúde no Local de Trabalho tem tanto a ver com a Medicina do
Trabalho como a Ergonomia, a Psicologia do Trabalho, a Sociologia do Trabalho, a
Higiene e Segurança do Trabalho, a Enfermagem do Trabalho ou qualquer outra
área científica que aborde, na sua área concreta, aspetos daquelas
inter-relações entre o trabalho e a saúde ou a doença. A Promoção da SST é um assunto de todas essas áreas científicas e, mais ainda, dos próprios trabalhadores e empregadores.
Nota: Modificado de um outro texto antes publicado no blog Safemed

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